Atividades — Palestra, Consolidação e Revisão das Hipóteses

Este conjunto de atividades orienta o trabalho do seu grupo neste módulo. As tarefas a seguir não têm uma resposta certa ou errada — têm uma qualidade de pensamento esperada. O que o professor avaliará é se o grupo conseguiu incorporar genuinamente os aprendizados dos módulos anteriores ao canvas de hipóteses, distinguindo o que permanece sólido do que precisa ser revisado, e se formulou perguntas para o palestrante que sejam pertinentes ao próprio projeto — não perguntas genéricas sobre empreendedorismo. Retorne ao material do módulo sempre que precisar de orientação conceitual, em especial à seção sobre revisão do canvas e ao síntese integradora dos Módulos 1 a 4.


Tarefa 1 — Preparando perguntas estratégicas para o palestrante

Contexto

O material deste módulo apresenta uma distinção importante entre perguntar passivamente e perguntar estrategicamente. Perguntas passivas pedem confirmação de algo que o grupo já acredita: “Você acha que nosso projeto tem potencial?”. Perguntas estratégicas abrem perspectivas novas, especialmente sobre incertezas reais que o grupo ainda não conseguiu resolver: “Como você identificou que o problema que estava resolvendo era real — e não o problema que você achava que era real?”.

A palestra de Dr. Vitor Barion é uma oportunidade rara de diálogo direto com alguém que percorreu o caminho de construir uma HealthTech no Brasil. O valor dessa oportunidade depende da qualidade das perguntas que o grupo formula — e da disposição para ouvir respostas que podem ser incômodas.

O que você deve fazer

Antes da aula, cada grupo deve elaborar, em texto dissertativo, três perguntas estratégicas para o palestrante. Cada pergunta deve ser acompanhada de uma breve explicação (dois a três parágrafos) que responda: de onde essa pergunta vem no contexto do projeto do grupo — qual hipótese do canvas ela toca, qual incerteza ela reflete ou qual dilema ela representa para o grupo neste momento. A explicação não é um preâmbulo para ser lido ao palestrante: é um exercício interno do grupo para verificar que a pergunta é genuinamente estratégica e não meramente retórica.

Uma boa pergunta estratégica é específica o suficiente para que o palestrante entenda que vem de um projeto real com um dilema real — e aberta o suficiente para que a resposta possa surpreender, refinar ou contradizer o que o grupo assumia. Perguntas que podem ser respondidas com sim ou não, perguntas que pedem validação emocional do projeto e perguntas que são tão genéricas que qualquer empreendedor poderia responder da mesma forma não atendem ao critério de pergunta estratégica descrito no material.


Tarefa 2 — Revisando o canvas à luz dos Módulos 3 e 4

Contexto

O material deste módulo sintetiza, para cada um dos módulos anteriores, as implicações para o projeto de startup. Os Módulos 3 e 4 — Inteligência Artificial e Telemedicina — introduziram dois blocos de conteúdo técnico, regulatório e ético que provavelmente tocam hipóteses do canvas que o grupo elaborou no Módulo 2. O objetivo desta tarefa é que o grupo incorpore esse aprendizado de forma explícita e documentada ao canvas, não de forma superficial.

O material explica que existem três tipos distintos de atualização possível para uma hipótese do canvas: o refinamento (a hipótese era vaga e agora ficou mais precisa), a substituição (a hipótese era provavelmente falsa e foi descartada em favor de uma formulação melhor), e a adição (uma hipótese nova que não havia sido identificada antes e que os conteúdos dos módulos revelaram como relevante). O grupo deve aplicar esses três tipos com rigor, não apenas marcando “revisado” sem explicar o que mudou e por quê.

O que você deve fazer

O grupo deve produzir, em texto dissertativo, uma revisão estruturada do canvas de hipóteses, percorrendo explicitamente as implicações dos Módulos 3 e 4 para o projeto. Para o Módulo 3 (Inteligência Artificial), o grupo deve responder: se o projeto usa IA, qual paradigma de aprendizado foi considerado e por quê é o mais adequado para a tarefa clínica específica — e quais dados de treinamento o modelo exigiria? Se o projeto não usa IA, há alguma aplicação que poderia agregar valor ao problema que o grupo escolheu — e, se foi descartada, por quê? O componente tecnológico do projeto foi afetado pelo que o grupo aprendeu sobre viés algorítmico e limitações de generalização? Para o Módulo 4 (Telemedicina), o grupo deve responder: se o projeto tem componente de telemedicina, qual modalidade é a mais adequada e quais obrigações regulatórias decorrem dessa escolha? Se o projeto não tem componente de telemedicina, a solução poderia se beneficiar de alguma forma de atendimento remoto — e foi explicitamente descartada por algum motivo fundamentado?

A revisão deve indicar, para cada hipótese do canvas afetada: o texto da hipótese anterior, o tipo de atualização aplicada (refinamento, substituição ou adição), o texto da hipótese atualizada, e o raciocínio que motivou a mudança — citando explicitamente o conteúdo do módulo ou a experiência da aula que fundamentou a decisão. Hipóteses que não foram afetadas pelos conteúdos dos Módulos 3 e 4 devem ser listadas com uma justificativa breve de por que permanecem inalteradas.


Tarefa 3 — Mapeando o risco técnico e regulatório do projeto

Contexto

No Módulo 2, o grupo identificou a hipótese mais arriscada do canvas — aquela que, se falsa, invalidaria o projeto inteiro. Naquele momento, o grupo tinha apenas o conteúdo do Módulo 2 como base de avaliação. Após os Módulos 3 e 4, o grupo possui novas lentes para identificar riscos que não estavam visíveis antes: o risco técnico ligado ao componente de IA ou tecnologia (viés algorítmico, generalização, qualidade dos dados de treinamento, métricas de avaliação inadequadas para a aplicação clínica), o risco regulatório ligado à classificação do produto pela ANVISA e às obrigações decorrentes (especialmente se o produto tem funcionalidade diagnóstica ou terapêutica), e o risco de equidade ligado ao paradoxo descrito no Módulo 4 (a solução beneficia quem? Exclui quem?).

O que você deve fazer

O grupo deve produzir uma análise de risco técnico e regulatório do projeto em texto dissertativo, percorrendo três dimensões. A primeira é o risco técnico: com base no que o grupo sabe sobre o componente tecnológico do seu projeto — mesmo que ainda seja hipotético —, qual é a falha técnica mais provável que poderia comprometer a segurança clínica ou a efetividade da solução? Como o que foi aprendido nos Módulos 3 e 4 muda (ou deveria mudar) a concepção desse componente? A segunda é o risco regulatório: se o produto fosse desenvolvido hoje com as características que o grupo imagina, ele seria classificado como dispositivo médico pela ANVISA? Quais critérios levam o grupo a essa conclusão? O que seria necessário para adequar o projeto ao quadro regulatório — e qual seria o impacto disso no modelo de negócio e no cronograma de desenvolvimento? A terceira é o risco de equidade: a solução imaginada beneficia um perfil específico de usuário — qual? Existe um grupo de pacientes ou de profissionais de saúde que ficaria de fora da solução por razões tecnológicas, econômicas ou de letramento digital? Esse resultado seria aceitável dado o problema que o grupo se propôs a resolver?

Ao final, o grupo deve responder uma pergunta direta: após essa análise, a hipótese mais arriscada do canvas é a mesma que foi identificada no Módulo 2, ou o grupo agora identificaria uma hipótese diferente como a mais arriscada? Se mudou, explique o que a levou a esse novo status. Se não mudou, explique por que os conteúdos dos Módulos 3 e 4 não alteraram esse diagnóstico.